Pan-americano de Kart em Zarate, Argentina – 2005

Um campeonato que começou com uma boa viagem, passou por uma noitada em Buenos Aires e terminou com um baita frio na pista.

2005. Convenci o “todo poderoso” do Allkart.net, Alexander Lopes, a irmos acompanhar o Pan-americano de Kart lá em Zarate, na Argentina. Na época trabalhávamos com alguns pilotos (gerenciamento de carreira) e seria importante nossa presença lá. Como tenho mais “anos de casa” do que o Ricardo Belussi, fui o escalado do Allkart para a competição. Mas o Ricardo trabalhou. E muito. Não tinha internet no kartódromo. Então, acabavam as corridas, eu ligava de um orelhão a cobrar na casa dele contando os detalhes.

Mas vamos do começo.

Fomos para Buenos Aires viajando de Luftansa. Avião chique da companhia aérea alemã. Era um vôo que vinha da Europa e fazia escala em São Paulo. Embarcamos e confortavelmente horas depois estávamos na capital argentina. Alugamos um carro e partimos para Zarate, distante 87 km de Buenos Aires. Achamos a cidade, o hotel e fomos para a pista. O primeiro problema. Os organizadores da competição não nos ‘reconheciam’ como jornalistas e queriam que comprássemos credenciais para trabalhar. Por sorte, Alexander Lopes fala 13 idiomas na mesma oração, e conseguiu reverter à situação. Fui credenciado como Revista Racing e Alexander como Allkart.net. Dias depois chegaram amigos de profissão: Fábio Oliveira (Fotografo), Fabiano (Cinegrafista) e Flávio Quick (Jornalista).

O campeonato corria tudo muito bem, com belos dias de sol e ótimas disputas na pista. A rivalidade Brasil e Argentina estava interessante e no domingo a final seria muito boa. Pois bem. Tivemos a ideia de sábado a noite ir para Buenos Aires. Eu, Alexander, Fabião, Fabiano e Quick. Para não nos preocuparmos com a volta, perder o caminho, beber um pouco alem da conta, decidimos contratar um taxi em Zarate.

Aníbal. Aníbal era o nome do taxista.

Fechamos o preço e no inicio da noite partimos para Buenos Aires. O taxi era movido a gás. Nos 87 km de viagem acredito que paramos três vezes para ‘abastecer’. O ‘botijão’ de gás do carro devia rodar apenas 30 km. E o carro era bem velho. Nem me lembro o modelo.

Aníbal nos deixou na Recoleta, bairro de Buenos Aires, e disse que não importava a hora que voltássemos, ele estaria lá. Foi duro acreditar na conversa do Aníbal. Principalmente por ser argentino! Mas lá fomos nós para o Hard Rock Café. Bebe daqui, bebe de lá. Vale lembrar que não bebo, mas fico alegre por osmose. Alexander Lopes foi ao banheiro. Minutos depois voltou à mesa. Passaram-se mais alguns minutos veio um argentino em nossa direção. Olhou bem para a cara do Alexander e perguntou: “Sr. Lopes?”. Alexander confirmou que sim. O argentino veio trazer o passaporte que Alexander havia derrubado no chão do banheiro. Naquele dia Alexander prometeu nunca falar mal de argentino. Fábio Oliveira, mais prá lá do que prá cá, duvidou que eu fosse conversar com as ‘ticas’ na mesa vizinha para eu me arrumar. Ele não devia ter feito isso. Fui lá. 10 minutos de conversa eu volto. Sem sucesso. Todos ali queriam saber de continuar bebendo. Eu não. Eu estava preocupado se o taxi estaria lá fora. O bar já estava com as luzes acessas e os garçons vieram nos avisar que estavam fechando. Pensei: “Que bom! Vamos embora.”.  Mas não. Queriam continuar a noite. Conversaram com os garçons do Planet Hollywood e descobriram que a metros dali havia uma espécie de cachaçaria. Pagamos a conta e vamos para o novo lugar em companhia do pessoal do bar que estávamos. Já comecei a ficar preocupado. Nada do Aníbal onde ele havia nos deixado. Fomos para o novo bar para encerrar a noite. Toma daqui, toma de lá. Fábio Oliveira apostando com um argentino quem virava mais copos de pinga. Flávio Quick ruim de mais! Decidimos ir embora. Era umas quatro a manhã. Saímos para a rua atrás do Aníbal. Me lembro como se fosse ontem.

Todos na rua gritando: “Aniballlllll…. Aniballlllllll….

Minutos depois, como em um filme, aparece Aníbal com seu carro velho atrás de nós. Montamos na viatura rumo a Zarate. Como na viagem de ida, Aníbal parava para abastecer. Em uma das abastecidas Flávio Quick foi até o banheiro. Neste momento, eu já sentia que a noite estava muito, mas muito fria. Estranho, porque saímos de Zarate com temperatura bem agradável. Passaram-se alguns minutos, o carro abastecido e só faltava o Quick. Fui procurá-lo no banheiro. Estava lá. Sentado. Dormindo. Confesso hoje que se estivesse bêbado teria o deixado dormindo.

Acordo a criatura e fomos para o taxi. Chegamos a Zarate pouco antes das 6 da manhã. As 8h deveríamos ir para a pista. Foi muito difícil acordar. Principalmente porque o domingo amanheceu com temperatura na casa dos 0 graus. Consegui acordar Alexander e fomos para a pista. Chegando lá encontrei Fábio Oliveira e o Fabiano. Eram praticamente uns zumbis. O Quick me lembrou que chegou bem depois.

Fui para o alto da torre para assistir a final da categoria Sudam. Fabiano foi comigo lá para cima para ter a melhor angulo para filmar. Estávamos esperando começar a prova. O frio já passava da casa dos cinco negativos. Foi quando, lá de cima, observamos uma pessoa chegando ao kartódromo amparado de muletas. Esta pessoa não tinha uma perna.

Foi quando Fabiano exclamou:

– Aquele cara tem sorte!

Não entendendo a situação, principalmente porque eu observava a dificuldade de se locomover daquela pessoa, perguntei o porque. Foi quando ele respondeu:

– Tem uma perna a menos para passar frio!

Os nomes das pessoas aqui citadas neste texto são fictícios. Poder ser que a coincidência da vida faça com que eu tenha amigos com estes nomes.

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Uma resposta para Pan-americano de Kart em Zarate, Argentina – 2005

  1. José Mário Dias disse:

    Pqp, eu queria estar lá!

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