O dia que fui preso



Estava no Kartódromo de Goiânia e chegou o BOPE. Fui tirar fotos. Pronto! Quase fui parar no camburão. Mais um “Causo do Nei”.

Sabe aquela propaganda: “Você quaseeeeeeeeeeee casou”. Pois é. Eu quaseeeeeeeeeee fui preso em Goiânia em 2009. Vamos a história resumida.

Desta vez não estava com Ricardo Belussi na cobertura de mais Brasileiro de Kart. Era Goiânia. Antes mesmo de acontecer este campeonato, pais de pilotos estavam reclamando das condições da pista. Alguns, inclusive, boicotaram a competição. Fui escalado e lá fui me enfiar em confusão.

Chego à pista e muito calor. De cara, no primeiro treino, um piloto Mirim (menos de 8 anos) capotou e já foi parar no hospital. Realmente a pista estava perigosa. Faltava de tudo um pouco: pneus de proteção, bandeirinhas preparados, equipe médica competente. Isto tudo era de responsabilidade da Federação Goiana de Automobilismo. Vamos às confusões.

Na quinta-feira á noite, antes das corridas da sexta-feira, a pista foi sabotada. Alguém jogou óleo diesel na pista e abriram buracos no asfalto. Ali o clima já estava ficando ruim. Durantes as corridas muitos acidentes. Mas muitos mesmo. Teve um que um menino capotou e bandeira vermelha. A mãe invadiu a pista aos berros e xingando todo mundo de filho da p.. para cima. Colocava o dedo na cara dos dirigentes falando que a culpa era deles. Clima pesado. Outra confusão. Tudo pronto para começar a corrida da Mirim. De repente, no grid, um senhor pula a mureta calmamente, vai até o grid, chega próximo ao um mecânico e lhe acerta um murro no meio da cara. Mais confusão.

Mas a pior de todas. Briga de pais nos boxes porque os filhos estavam disputando o título na pista. Diz à lenda que um dos pais puxou uma arma. Ai o outro pai, acuado, que era de Goiânia, fez umas ligações e chamou a policia. Passaram-se alguns minutos chegou uma espécie de BOPE na pista. Chegaram de moto e armados até de fuzil. Pois é. Fuzil dentro de um kartódromo e com crianças de 6 a 15 anos. Estes policiais foram até os boxes. Eu sentindo o ‘cheiro’ da confusão fui até lá com a minha câmera na mão. Parei ao lado dos policiais e comecei a tirar fotos. Foi quando o policial me disse:

– Você não pode tirar foto aqui!

Entendi a frase da seguinte maneira: que eu não poderia tirar fotos ali do lado dele. Pois bem. Mudei de lado e fui tirar mais fotos. Desta vez de frente a eles (os policiais). Por que fui fazer isso?

Quando registrei fotos dos policiais com fuzis no meio de crianças veio um deles e pediu a minha máquina fotográfica. Me perguntou porque estava tirando fotos. Disse que eu era jornalista e podia tirar fotos. Era meu trabalho. Ele não gostou da resposta e pediu minha máquina fotográfica. A coloquei para trás e o policial começou a ficar nervoso. Foi quando ele me segurou pelo colarinho e disse que iria me prender. Neste momento veio outro policial e tentava pegar a minha maquina. Por sorte sou muito forte. Precisou 12 segundos para o policial arrancar a força a minha máquina. Fiquei puto. Tinha fotos animais – falando jornalisticamente – de policiais fortemente armados dentro de um kartódromo. Por sorte, apareceu uma mãe de piloto – amiga minha – falando para o policial me soltar que eu era jornalista e estava só trabalhando. E ele bravo me segurando pelo colarinho querendo me prender.

Apareceu neste momento Ney Lins, presidente da Federação local. Quando ele viu aquela cena, não estava entendendo nada. Perguntou quem autorizou a entradas dos policiais. Foi o “Comandante Tal”. Ney Lins conhecia e disse que eles poderiam ir embora que já estava tudo resolvido.

Como assim resolvido???

Cadê a minha máquina com as minhas fotos. Esbravejei querendo de volta a minha máquina. Mais uma ameaça de me prenderem novamente. Pronto! Apareceu a minha máquina. Sem as fotos é claro. Devidamente apagadas.

Montaram nas motos e foram embora. Foi quando Ney Lins me disse:

– Estes caras não são policiais não. É praticamente um grupo de extermínio. Eles acabaram com os seqüestradores e bandidos daqui de Goiânia.

Na hora não sabia se chorava ou achava graça daquela informação. Estava eu discutindo com um “grupo de extermínio” por conta de umas ‘fotinhos”.

O pior de tudo desta história. Foram feitas fotos do “policial’ me agarrando pelo colarinho e com dedo na minha cara. Mas, “para o bem do automobilismo nacional” o fotografo foi obrigado a apagar as imagens.

Quaseeeeeeeeeee fui preso. Quase apanhei. E não tenho nenhuma fotinho disso.

Que bosta!

 

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Uma resposta para O dia que fui preso

  1. Luis Midon disse:

    HAHAHAHAH…cada uma melhor que a outra…

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