O dia que fui preso. Ok, quaseeeeeeeee fui preso


Eu estava devendo aqui no meu blog a história no dia que quase fui preso em Goiânia, Goiás, no Brasileiro de Kart em 2009. Foi um rolo. Passei apuro, pela primeira vez na minha profissão. No fim tudo deu certo.

Campeonato Brasileiro de Kart, 2009, em Goiânia, Goiás. A escolha da pista não foi por critérios técnicos, e sim por pura política. Um que apoiou o outro na eleição para CBA e o estado de Goiás “ganhou” o Brasileiro. O Kartódromo nunca que poderia receber a competição. Não tinha estrutura nenhuma e a pista estava muito perigosa. Mas mesmo assim aconteceu.

Desta vez não tive Ricardo Belussi na tradicional parceria. Não me lembro porque ele não foi. Mas deve ser por falta de dinheiro na caixinha do Allkart.

Cheguei na quarta-feira e já percebi muitas reclamações. Parque Fechado que não funcionava direito, pais brigando, um acidente feio. Mas vamos para o sábado, o dia que quaseeeeeee fui preso.

Não vou falar de tudo de errado que aconteceu até sábado porque iria tomar muito espaço deste post.

Sábado – antes das baterias finais saiu uma (outra) briga entre pais. O problema que diz a lenda, que um deles sacou uma arma. O que foi mirado, era da cidade, e imediatamente ligou para o comandante ‘tal’ e chamou a policia. Neste momento eu estava na pista. Foi quando eu percebi várias motos de policia chegando ao kartódromo. Deixei a pista de lado e fui ver o que estava acontecendo.

As motos, cerca de cinco, com dois policias cada, entraram no kartódromo, no meio dos boxes e com armas em punho. Armas, quando eu digo, eram umas belas metralhadoras. No meio de pilotos/crianças de 7 a 15 anos.

Eles pararam a frente de um boxe e desceram das motos para averiguar a denuncia de arma no kartódromo. Fui ao lado deles para tirar uma foto da confusão. Foi quando um dos policiais me dirigiu a palavra:

– Você não pode tirar foto aqui!

Eu entendi a ordem da seguinte maneira: eu não poderia tirar foto ali, do lado do policial. Ok. Sai do seu lado e fui do outro lado. Tirar fotos da confusão de frente.

Quando eu já tinha registrado algumas fotos dos policiais com armas no meio das crianças, o primeiro que falou comigo percebeu. Não teve duvidas. Veio até mim:

– Já te disse que não pode tirar fotos aqui!!!

– Mas estou trabalhando, olha a minha credencial! Sou jornalista.

– Você não pode tirar fotos. Me da esta máquina!

– Não, não vou dar não.

Neste momento coloquei as mãos para trás com a maquina.

A muvuca e confusão começou a aumentar. O policial bravo gritando comigo e eu com as mãos para trás escondendo a máquina fotográfica. Foi quando ele ‘grudou’ no meu pescoço:

– Você esta desacatando uma autoridade. Me da agora esta máquina.

– Não mesmo. As fotos são minhas.

– Você será preso! Vou te prender agora!

Neste momento veio outro policial e tentava tirar a máquina da minha mão. Resisti 4 segundos e eles tiraram a maquina. Fiquei puto. Neste momento apareceu o presidente da federação de automobilismo de Goiás. Queria saber o que estava acontecendo. Descrevi o fato:

– Presidente. Eles pegaram a minha maquina. Pegaram a minha maquina!

– Quem mandou vocês aqui? Ninguém pode entrar na “minha pista” sem minha ordem.

O policial explicou que era uma denuncia de arma e que o “cidadão” (eu no caso) tirou fotos que aparecia o rosto deles. E isso não podia.

O presidente disse que não precisava de policia, que ele mesmo resolvia o problema. E pediu que a minha maquina fotográfica fosse devolvida.

Passaram-se alguns minutos e a máquina voltou. Advinha! Sem as imagens. Todas apagadas. Fiquei puto. Puto pra cacete. Falei com o presidente. Ele disse que nada podia fazer.

Os policiais foram embora. O presidente virou para mim e disse:

– Não precisa se preocupar não. Eles não são policiais de verdade. É um grupo de extermínio aqui de Goiânia que acabou com todos os seqüestradores. É uma parte escura da policia.

Ah, ta. Então quem queria me prender não era a policia! Era um grupo de extermínio. Fiquei tão feliz com a notícia.

E o grande final

Veio um fotografo até mim e mostrou uma sequencia de fotos. Era a sequencia do policial me pegando pelo pescoço e com o dedo no meu rosto. Fiquei loco! Queria aquelas fotos de todo jeito. Não era para publicar no Allkart. Apesar que, na hora estava com tanta raiva, que até publicaria.

Foi quando o assessor de imprensa da CBA foi conversar com o fotografo sobre as fotos que ele tinha. Que para o “bem do automobilismo nacional”, seria melhor apagar as imagens.

É. As fotos foram apagadas.

Tudo bem! Passou. Foi um episódio difícil na minha carreira e no kart. Torço muito para não acontecer de novo.

Vejam a nota final do Allkart da cobertura deste Brasileiro de Kart. Nota digna de uma cobertura 100%.

As fotos deste post foram enviados para o Allkart por um pai de piloto dias após a confusão.

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4 respostas para O dia que fui preso. Ok, quaseeeeeeeee fui preso

  1. pezzolo disse:

    nossa…
    espero nunca chegar a isso nas minhas coberturas… se bem que já teve gente reclamando da Pezzolo.tv do tipo “sua credencial não permite filmas minha área vip” . Tá bom, a gente só queria divulgar sua marca, mas nao quer azar!

  2. Rodrigo Ruiz disse:

    E existem tantos programas de recuperação de fotos que todas poderiam estar de volta em poucos minutos.. seria bem interessante….

    E Pezzolo, eu também já ouvi tanta besteira por ai que já cansei.. simplesmente não divulgo nem uma coisa nem outra…

  3. Estimado Nei,

    Greetings from RGS. Tudo bem? Confesso, fiquei impressionado com a história — sem falar nos demais tópicos de seu prestigioso blog. Por favor, apreciaria contata-lo via e-mai. Tem jeito? Independente, aproveito este contato para lhe desejar uma ótima noite de Natal, e, posto meu lado americano… I wish you a Happy New Year.
    With kind regards,

    Paulo McCoy Lava
    paulomccoybr@yahoo.com.br

  4. Pingback: O filho da Chispita | Bobo da Corte

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