Não basta apenas trabalhar. Tem que aproveitar

Na minha profissão e na profissão de muitos que lêem este blog, a viagem para as corridas faz parte de uma rotina. Viaja na quinta-feira, volta no domingo. Vai para o aeroporto, vai para o hotel, vai para a pista. São pouquíssimas as oportunidades onde nestas viagens é possível curtir. Rio de Janeiro, por exemplo. Acho que nestes anos todos de trabalho, fui uma vez a praia em um fim de semana de corrida.

 

Agora um exemplo legal. O jornalista Claudio Stringari mora em Curitiba e faz todo este roteiro de viagens que eu citei acima. Ele teve a oportunidade de no ano passado ir para algumas corridas fora do Brasil. E soube aproveitar. Veja esta coluna que está no site da sua empresa www.centralpress.com.br

 

Tem que aproveitar!

 

Por Claudio Stringari

Alguns destinos são imperdíveis para quem gosta de velocidade e não abre mão de riqueza cultural e gastronomia requintada. Recentemente, estive em alguns lugares pouco conhecidos, mas inesquecíveis. Cidades que possuem autódromos charmosos, que já sediaram grandes provas, mas que perderam espaço para os novos e modernos circuitos da Fórmula 1.

Acompanhar a principal categoria do mundo é uma experiência interessante, sem dúvida. Mas o custo elevado dos ingressos e hotéis em época de Grandes Prêmios e a disputa acirrada por um bom lugar em Mônaco e Bahrein, por exemplo, desanimam. Por isso, outras competições estão ganhando espaço. Uma delas é a GT1, que coloca na pista carros como Maserati, Corvette, Ferrari, Porsche, Ford GT, entre outros. O paranaense Enrique Bernoldi, ex-piloto da Fórmula 1, é uma das atrações do Campeonato, que estrou no Brasil em 2010 e retornará em 2011.

A facilidade de acesso à pista e até mesmo aos pilotos tem atraído cada vez mais gente aos circuitos por onde a GT1 passa. Além dessa categoria, esses autódromos recebem corridas de GT3, Endurance (provas de longa duração), Fórmula 3, campeonatos regionais. Enfim, são autódromos movimentados e mais “democráticos”. Ao redor deles é possível conhecer história cultural, política e gastronômica dos países.

Em Nogaro, cidade localizada entre Toulouse e Bordeaux, na França, está o Autódromo Paul Armagnac. Logo na entrada está uma simpática lojinha, recheada de souvenirs. O atendimento, aliás, está longe daquele “frio” bonjour de Paris. Passear pela pista é uma experiência interessante. É possível fazer o trajeto a pé ou com um ônibus (gratuito).

Ao invés do “pão com bife”, comida tradicional dos circuitos brasileiros, o baguete au canard (pão com filé de pato) e as famosas batatas francesas agradam aos paladares mais exigentes nos quiosques espalhados pelas arquibancadas. No restaurante, localizado no final da reta oposta, é servido um verdadeiro banquete, regado a foie gras e vinhos tintos maravilhosos. Privilégio da região que mais produz essas iguarias no mundo.

Aliás, na cidade de Nogaro (ou em Auch, localizada a 60 km da pista) é possível encontrar restaurantes excelentes. No menu, além dos famosos vinhos franceses, estão scargots e pratos de tirar o fôlego – a grande maioria à base de manteiga e pato. E o melhor, com preços bem acessíveis. Depois, nada melhor que apreciar a beleza dos castelos medievais da região.

Berço de grandes montadoras, a Alemanha é outro país imperdível para quem gosta de velocidade. Além dos autódromos de Hockenheim e Nürburgring, que já sediaram provas memoráveis de Fórmula 1, o país tem ainda o circuito de Oschersleben, uma Arena Motorsport completa. Sem contar o heptacampeão mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher, e uma das categorias de turismo mais competitivas do mundo, a DTM.

Para conhecer a história do automóvel, visitar o museu localizado na fábrica da Audi, em Ingolstadt, é praticamente obrigatório. Lá é possível ver de tudo. Desde um protótipo vencedor das 24 Horas de Le Mans, carros de rally antigos e até modelos futuristas, movidos a eletricidade.

Vale, ainda, visitar o Muro de Berlim, a moderna Frankfurt e conhecer os restaurantes de Munique, que, além de servirem as famosas salsichas e os pratos à base de porco e batatas, têm as deliciosas cervejas.

Ali pertinho, na República Tcheca, está o Autódromo de Brno. Como se não bastasse ter um dos traçados mais seletivos do mundo, o visual da pista é fantástico. Árvores e montanhas que compõem a região ficam cobertas de gelo no inverno – época em que a pista funciona apenas para testes privados de equipes e montadoras.

Óbvio que estar no país e não visitar a capital, Praga, seria um grande pecado. Cortada pelo sinuoso Rio Vltava, a cidade tem uma riqueza cultural única, com belas pontes, castelos, teatros e museus.

Para fechar o roteiro “alternativo” da velocidade, não podia deixar de fora Dubai. Apesar de não sediar uma prova de Fórmula 1, que acontece no emirado vizinho de Abu Dhabi, o Autódromo une a modernidade e a tradição do país. Localizada a dez quilômetros da praia de Jumeirah, onde estão os famosos hotéis, e a oito do centro comercial, a pista reserva boas surpresas.

A começar pela escola de pilotagem. Por pouco mais de mil dólares é possível sentir a emoção de passar dos 200 km/h com um Audi TT ou um R8 no traçado de 5.390 metros. Além das provas regionais, o circuito recebe corridas da GT3, que reúne Lamborghini, Aston Martin, BMW, Jaguar, entre outros modelos que habitam os sonhos de qualquer mortal, e a Speed Car, categoria similar à Nascar americana. Um atrativo adicional da categoria é a participação de ex-pilotos de Fórmula 1, como Jean Alesi, Hans Harald Frentzen e Johnny Herbert. Para não deixar de lado a tradição, o circuito dispõe de salas de reza (Prayer Rooms) para os islâmicos.

Visitar os pontos turísticos da cidade é uma experiência única. Afinal, não vale à pegar um vôo de 16 horas apenas para conhecer um autódromo. Jantar no Hotel Burj Al Arab e passar pelo menos um dia no Hotel Atlantis The Palm são compromissos quase que obrigatórios.

Quem tiver um tempinho extra, deve dar uma esticada até Abu Dhabi. O Ferrari World, maior parque temático indoor do mundo, inaugurado em 2010, tem a montanha russa mais veloz do mundo (chega a 198 km/h), escolas de pilotagem, simuladores de corrida e um museu que conta a história da marca.

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2 respostas para Não basta apenas trabalhar. Tem que aproveitar

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  2. Paula disse:

    Olá,

    Gostaria de saber se você conheceu alguma escola de pilotagem, talvez em algum dos autódromos que visitou, na Europa, pois tenho ineteresse em fazer um curso como este. Por um, dois, alguns meses até. Será que pode me ajudar?

    Att.,

    Obrigada,

    Paula Boarin

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