Batendo firme na Stock Car

O Correio Brasiliense fez uma matéria sobre a Stock Car. Pegou opinião de um monte de gente. De gente que compete e de gente que só assiste. De gente que nunca correrá de Stock e de gente que pode acabar na Stock.

E foi bordoada para todo lado.

Vejam a matéria assinada por Patrícia Banuth. O link está aqui.

A Stock Car é alvo de críticas dos pilotos

Nelsinho Piquet nunca foi santo. E não foge de envolver-se em polêmicas. Sem freios quando resolve falar abertamente, o piloto, que já disputou a Fórmula 1 — em 2008 e parte de 2009, quando foi protagonista de um dos maiores escândalos do mundo da velocidade (veja memória) — e que hoje corre pela Nascar, fez recentemente duras críticas à Stock Car.
Para ele, a maior categoria do automobilismo nacional só consegue se manter em evidência por causa da falta de concorrência e nada justifica o custo médio de cerca de R$ 1,5 milhão por temporada para as equipes. “Se comparar a Stock com qualquer categoria de turismo, ela é uma porcaria”, dispara. “R$ 1,5 milhão para 12 corridas, sem treino. Não é possível uma categoria do nível da Stock custar tanto assim”, atacou, em entrevista à revista ESPN.

As declarações de Nelsinho merecem atenção. Se o dinheiro corre pelas pistas da Stock Car, o mesmo não se pode dizer da credibilidade da categoria, que não exerce qualquer fascínio sobre os pilotos mais jovens do país. “Eu não pagaria para correr na Stock Car. O principal motivo não é o carro, mas o dinheiro. Com R$ 1,5 milhão eu poderia correr de GP3, que faz a preliminar da Fórmula 1. Eu pagaria o mesmo preço para correr em uma categoria muito melhor, mais emocionante e na qual eu poderia me destacar e conseguir entrar na F-1”, argumentou o brasiliense Felipe Guimarães, 20 anos, piloto de kart com passagem pela Indy Lights.

Para Felipe, Nelsinho Piquet errou ao criticar a Stock Car. Entretanto, na defesa de sua opinião, ele deixou claro o que pensa sobre a categoria. “Ele (Nelsinho) pode acabar morrendo na Stock Car, que foi o que aconteceu com a maioria dos pilotos que hoje estão na categoria. Muitos deles, como Antônio Pizzonia, Luciano Burti, correram de Fórmula 1, mas acabaram na Stock Car. É uma categoria para quem já está mais para o fim da carreira. Para quem tentou de tudo e não deu certo”, opinou.

Gláucio Uchôa é pai do potiguar Victor Uchôa, 10 anos, campeão brasileiro de kart em 2010 na categoria mirim e que atualmente disputa a World Series Kart (WSK), o circuito mundial, na Europa.

Gláucio conta que, para seu filho, a Stock Car nunca exerceu nenhuma atração. “Na verdade, não conheço nenhum piloto que comece hoje no automobilismo e que sonhe correr na Stock Car”, afirma. “Nunca passou pela cabeça do Victor correr lá. Ele quer chegar à Fórmula 1 ou, então, correr na Nascar ou na Indy. A Stock Car nunca encheu seus olhos.”

Memória

Nelsinho Piquet esteve no centro de um dos maiores escândalos da história da Fórmula 1. Em setembro de 2008, no GP de Cingapura, ele sofreu um acidente que forçou a entrada do safety car na pista no momento em que Felipe Massa liderava a prova. O companheiro de equipe de Nelsinho, Fernando Alonso, havia parado nos boxes pouco antes da batida para repor combustível e, beneficiado pelo safety car, acabou vencendo a corrida. Após ser demitido da Renault, em setembro de 2009, Nelsinho acusou o ex-chefe da escuderia, Flavio Briatore, e o ex-diretor da equipe, Pat Symonds, de terem pedido a ele que batesse de propósito em Cingapura para que Alonso tivesse chances de vencer a corrida. A Renault terminou por admitir a falcatrua. Briatore foi banido da F-1 e Symonds pegou uma suspensão de cinco anos. Alonso sempre afirmou que jamais soube da armação. Nelsinho Piquet recebeu imunidade esportiva em troca de sua colaboração.

Vale menos do que pesa

Para Amir Nasr, que tem uma equipe que leva seu nome na Stock Car, a categoria tem dois problemas sérios: o custo e a exposição. “Hoje, ela custa mais do que vale. Os valores são muito altos para uma categoria que não treina e que tem poucas corridas transmitidas ao vivo”, opinou.

Para Nasr, com o surgimento do Campeonato Brasileiro de Marcas, que estreia neste fim de semana em Tarumã, no Rio Grande do Sul, a Stock Car deve ficar em segundo plano. “Dentro de dois anos, o Campeonato Brasileiro de Marcas vai ser a competição mais importante de automobilismo do Brasil”, afirmou. O empresário brasiliense, contudo, acredita que a Stock não vai ter problemas com a concorrência. “Ela dá certo, de um jeito ou de outro. Existe espaço para todas as categorias que estão surgindo. Não vai ter debandada. Mas os problemas precisam ser resolvidos”, alertou.

Cacá Bueno pensa diferente. “O Campeonato de Marcas é uma ideia brilhante. Mas os organizadores (Vicar) são os mesmos (da Stock) e os problemas também refletirão lá. O problema da Stock não é estrutural. Eles pecam nas decisões. Mas como vão ser fiscalizadas pela mesma confederação, vai dar no mesmo”, frisou.

Vicar e CBA na mira

Atual líder da Stock Car, Thiago Camilo diz que não gostou nada das afirmações de Nelsinho. “Acho que a Stock Car é uma categoria consolidada no mercado, com excelentes patrocinadores e empresas envolvidas. Tem alguns problemas, sim, mas como todas as outras”, defende o piloto da equipe Ipiranga RCM. Camilo, entretanto, reconhece que se trata de uma categoria muito cara. “Sobre o preço, concordo que poderia ser um pouco mais bem estudado.”

Cacá Bueno, tricampeão da Stock, rebate a afirmação de que trata-se de uma “porcaria”. “É maravilhosa”, retruca. O piloto, contudo, reconhece que existem problemas. “Nos últimos anos, a Stock Car vem sendo muito mal administrada e tem passado por vários problemas. A organização (da Vicar) e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) vêm deixando a desejar, com decisões duvidosas e que não acompanharam o crescimento profissional da categoria ”, critica.

Recentemente, algumas decisões da CBA irritaram pilotos e equipes. A Red Bull Racing foi a última prejudicada. Na etapa de Campo Grande, em 5 de junho, Cacá Bueno e Daniel Serra, pilotos da equipe, receberam penalizações por excesso de velocidade nos boxes. A cronometragem indicou que eles passaram a 137km/h e 74km/h, respectivamente, na área de pit stops. “Mesmo se Cacá, em um inexplicável surto psicótico-suicida, realmente tivesse feito tal estupidez, será que essa passagem em altíssima velocidade não teria sido facilmente perceptível a olho nu?”, questionou a equipe, em nota. “Infelizmente, no último ano e meio, a Stock Car tem sido sinônimo de amadorismo e despreparo no campo desportivo”, continuou o comunicado.

Inconformado com a punição, Cacá elevou o tom das críticas. “Não é possível que uma categoria tão séria tenha espaço para erros tão absurdos. Só espero que a Vicar e a Confederação Brasileira de Automobilismo tomem alguma atitude que mostre ao público a seriedade e a competência que eles dizem que têm. Credibilidade não se conquista escondendo erros, mas, sim, assumindo-os”.

Organização se defende

O diretor da Vicar, Maurício Slaviero, declarou que concorda que existem muitas polêmicas que prejudicam a Stock Car. “Não gostaríamos que fosse uma constante”. Slaviero, contudo, isentou a organização de erros envolvendo fiscalização e punição e ressaltou que esses assuntos são da competência da Confederação Brasileira de Automobilismo. “Punição é com a CBA. Seria a mesma coisa que reclamar com a Traffic por algum pênalti mal marcado na Copa do Brasil. Eles apenas promovem o torneio, não cuidam da arbitragem”, argumentou.

O presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, explicou o caso das punições a Cacá Bueno e Daniel Serra em Campo Grande. “A cronometragem oficializa se o carro entrou no box com velocidade maior. O comissário não tem como medir. Eles recebem a informação e punem”, declarou. Ele ressaltou que o equipamento de cronometragem apontou apenas os dois pilotos da Red Bull Racing acima da velocidade e afirmou que a fabricante do aparelho, a Tag Heuer, comunicou à CBA que o medidor não apresentava defeito.

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10 respostas para Batendo firme na Stock Car

  1. Nei, e sua opinião? o que você achou da matéria?

    • neitessari disse:

      Oie, uma matéria polemica, mas muito bem produzida. Escutou todo mundo que deveria ter escutado. Se a categoria não tivesse nenhum problema, poderiamos dizer que a jornalista estava querendo polemica. Mas não. Muito bem feita a materia. E vc achou oq?
      Beijosss

  2. Betto disse:

    Tem de ver o vídeo da cena do Cacá entrando no box. Eu desconfio que o radar registrou a velocidade de algum carro que estava na pista, ou atrás do Cacá ou que tivesse passado de fronte ao radar antes dele. Mas é preciso ver essas imagens…

  3. Sandro Marcon disse:

    Eu acredito que se a Vicar não se reorganizar rapidamente, outras categorias, sem contar com o Brasileiro de marcas que vem por ai, visto que deste ainda não podemos fazer qualquer avaliação a respeito, pois ainda nem começou, portanto não sabemos como será organizado ou recepcionado pelo público; mas categorias como GT Brasil e Formula Truck, estão crescendo a cada ano e aprendendo com os erros da Stock. Hoje estas categorias levam aos autódromos a mesma ou quase a quantidade de pessoas e suas exposições na mídia são bem melhores do que a Stock, fora que na GT Brasil já possui alguns pilotos da Stock andando lá. Se a Vicar não acertar isto e não rever os valores, com certeza em 2 anos estas outras categorias irão atropelá-la. Hoje para se correr de Ferrari na GT3 você gasta cerca de R$ 1 milhão por ano. Gente…é “meio milhão” de diferença nos valores e a exposição na mídia é muito maior, pois a cobertura da Band, no quesito esporte a motor, dá de 10 X 0 na Globo. Vale a pena a Vicar pensar a respeito disso. Abraços.

  4. Ricardo Fávaro disse:

    Às vezes acho que nosso automobilismo vive das polêmicas. Dá mais mídia do que as corridas. É só puxar pela memória, do que vc se lembra mais, da vitória do Burti última corrida da Stock ou do caso Tarso Marques, da punição à Red Bull em Campo Grande, da briga com o Sergio Berti após a corrida de Interlagos, etc. É preciso rever muitos conceitos. Isso vale para todos nós, inclusive da mídia.

  5. Ricardo Fávaro disse:

    Arruma aí o Thiago Marques

  6. Nei, igual vc, que também é jornalista, acredito que a jornalista foi impecável! Ela ouviu todos os lados, inclusive da Stock e da Vicar. Só não “ouviu” a Globo, que poderia explicar pq “caga” nas transmissões.
    Sandro Marcon tb mandou bem no comentário. Com o Marcas e a transmissão ao vivo pela Rede TV, que diga-se de passagem está investido bem em equipamentos e transmissões e chegando em Estados que antes não havia sinal na TV aberta, isso também pode pesar.
    O público que GOSTA mesmo de automobilismo é um público diferenciado.
    Enfim Nei, sou leitora assídua do blog!
    Abraços

  7. Emílio Campos disse:

    Se eu tivesse recursos para montar um evento nacional de automobilismo… Já ouviram falar em Jonathan Palmer? E na Top Race?
    Bem, quem realmente entende de automobilismo “já sacou”.

  8. Fernando Lima disse:

    A stock car não é uma porcaria como disse o Nelsinho e nem uma maravilha como afirmam Cacá e Camilo. O problema da Stock Car hoje é a forma como ela é oferecida como evento: Uma novela global onde há um protagonista (Cacá Bueno), sempre tem o maior foco, o melhor , e por ai vai…e os eternos coadjuvamtes, os mesmos de sempre…Burti, Atila , e é claro ele, a eterna promessa que nunca vinga: Thiago Camilo, o que irrita e afasta o público e patrocinadores. O que ninguem fala é que de 2009 para cá, muitos patrocinadores, equipes e pilotos deixaram a categoria. Somente este ano, Claudio Ricci e Pedro Gomes (estreou na Truck domingo passado…) abandonaram a Stock no meio da temporada. Sem falar nas diversas categorias de acesso ao longo dos anos, Stock Lith,Junior, Copa Vicar, Pick Up Racing, Mini e Montana, m manchadas por duas mortes em pouco mais de tres anos e colocadas em horários para ninguem ver , tipo; 8 da manhã ou depois da principal…em Interlagos por exemplo, acredito que menos de 30% do público fica para ver a Montana, isso se o tempo ajudar, caso esteja frio ou chuvoso, 15% é muito.

  9. Sandro Marcon disse:

    Concordo em cor, gênero e grau com o Fernando. Muitos patrocinadores estão abandonando a categoria devido ao seu descredito orquestrado pela Globo. Infelizmente a emissora não se interessa por automobilismo, como os seus diretores já deixaram bem claros em 2009 em uma reunião ocorrida na emissora e só a Vicar não enxerga isso. Nossa Stock poderia ser um grande evento mundialmente conhecido como a V8 Supercar, Nascar ou DTM, que são categorias de turismo. Porem com a falta de interesse da emissora em dispor um horário e fazer uma descente cobertura, empresas não estão se interessando mais pela Stock, pois não ha visibilidade de suas marcas , alem de ser um evento caríssimo. Eu que trabalho na gestão de patrocinios não consigo mais vender espaços na Stock, as empresas querem somente GT3 ou Truck. Coincidentemente ambas transmitida pela Band. Novamente digo: “Será que só a Vicar não enxerga isso?”

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