O dia que o Clebão foi o Wando

As vezes “abro” o espaço do blog para texto de amigos. Como ontem morreu o Wando, cantor gente boa da turma do brega romantico, hoje um texto em sua homenagem. É do Cleber Bernuci, amigo e acreditem, foi meu “bixo” na faculdade de jornalismo.

Ele é o cidadão da foto acima. Abaixo o “Bándo” e o texto.

O dia em que fui cover do Wando

O ano era 2005 e esta foi uma das viagens mais malucas que já fiz em toda minha vida. Eu trabalhava no Liberal e fazia freelance como assessor de imprensa para um piloto e uma equipe da Fórmula 3 Sul-Americana. Aí, tinha corrida na Argentina, em Santa Fe. Sexta-feira de folga, por causa da quantidade de horas extras na redação, e lá fui eu. Deixei o carro na casa do Cabeça (vulgo Rodrigo Barroca Dias Ferraz), em São Paulo, para pegar o Airport Bus Service no Shopping Eldorado até Cumbica. Lá, avião da Aerolineas direto para Buenos Aires.

Chego na capital argentina procurando por um ônibus que me levasse em sete horas de viagem até Santa Fe, capital da província homônima. Não havia mais nenhum para aquela sexta-feira, e eram apenas duas horas da tarde. Como havia passado um mês em Rosário a estudos no meu último ano da faculdade (2003), mantive uma rede de amigos por lá. E foi o que fiz: comprei uma passagem para Rosario e avisei uma amiga que estava indo para lá. O melhor: Rosário ficava apenas duas horas distante de Santa Fe.

Cinco horas de viagem por estradas irritantemente planas depois, já me esperavam na rodoviária local. Era maio, e fazia um calor dos infernos. À noite, fomos a um bar em que o principal barman era professor de drinks (em faculdade de Turismo na Argentina tem isso. Chique demais) de um dos meus amigos. No balcão estávamos, conversando, tomando biritas e comendo papas fritas, quando percebo que a banda no palco tocava uma música brasileira. Pelo ritmo do que cantava a vocalista, era Fagner (“eu queria ser um péixe / para num límpido aquário méééééééérgulhaaaaar…”). Aí comentei com o pessoal: “essa música é brasileira”, cantando (baixo) o trecho correspondente em português. E seguimos com o papo e a bebedeira.

A banda deu um intervalo e essa “muy” amiga disse que foi ao banheiro. A feladamãe foi na verdade falar com a vocalista, dizendo que viu que eles tocaram uma música brasileira, e que por coincidência havia um brasileiro no bar. Ela voltou sem falar nada. Eu, com minha long neck de Quilmes, nem desconfiava.

A banda voltou. Tocou duas músicas. E fez uma parada para dar um aviso ao público. “Ficamos sabendo que há um brasileiro no bar, e gostaríamos de chamá-lo aqui ao palco para cantar conosco”.

Gelei. Fodeu.

A vocalista se vira para a minha “muy” amiga: “É Cleber, certo?”, com aquele sotaque que fez meu nome soar como “Clêber”. Nisso, o bar inteiro começou: “Clêber, Clêber, Clêber…!”.

Gelei. Fodeu.

Não tive escolha. Fui ao palco, praticamente arrastado pelos “muy” amigos.

– O que vocês vão cantar?, perguntei.

– Bándo.

– O quê?, insisti.

– Bándo.

– Ah, Wando?, tento confirmar.

– Sí, Bándo.

Minhas pernas tremiam. Eu temia que, em vez de calcinhas, me jogassem ovos. Podres.

Mas começamos, eu e a vocalista. “Você é luz, é raio, estrela e luar…”. Ela parava de cantar pra que eu seguisse sozinho com a música, mas eu a olhava com uma cara de “peloamordedeus, canta junto!”, e ela continuava. Nisso, o bar inteiro já tava embalado na canção, balançando os braços, “meu ia-iá meu io-iô”.

Sucesso.

Não jogaram ovos. Nem calcinhas.

Aplausos. Roxo de vergonha, agradeço e volto ao balcão.

O professor de drinks do meu amigo disse que mandei bem, e me passa duas Cubas Libres (coca-cola com rum, gelo e limão) por conta da casa.

Foi esta a minha noite de cantor brega em um bar de Rosário, na Argentina

(O restante da viagem é algo que merece um post à parte).

 

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3 respostas para O dia que o Clebão foi o Wando

  1. Morro, e não fico sabendo de tudo… Que beleeeeeeeza!!

  2. Rafael Durante disse:

    Esse Clebão é uma figura!

  3. Fernando disse:

    Vc deve cantar melhor que o Suplicy…

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